GRAMÁTICA

DICA DO DIA


PRONOMES DE TRATAMENTO

        Os pronomes de tratamento são usados no tratamento cortês e cerimonioso das pessoas. No Brasil os mais usados são:

- Você(s) (abrev. V. / V.V.): utilizado no tratamento familiar;

- Senhor(es) / Senhora(s) (abrev. Sr.; Sra / Srs.; Sras. ): utilizado no tratamento de respeito;

- Senhorita(s) (abrev. Srta. / Srtas.): tratamento dado às moças solteiras;

- Vossa(s) Excelência(s) (abrev. V. Exa / V. Exas): empregado somente para Presidente da República, Ministros, Governadores de Estados, Secretários de Estados, Prefeitos, Promotores, Juízes, Senadores, Deputados, Vereadores, as mais altas patentes Militares e altos cargos em geral. É empregado basicamente na língua escrita e protocolar, tais como: ofícios, requerimentos, petições, etc.;

- Vossa Senhoria: o seu emprego na língua falada é muito raro. Já na língua escrita é frequentemente usado em requerimentos, ofícios, cartas comerciais, principalmente, quando não é próprio do uso de Vossa Excelência.

        As outras formas de tratamento são protocolares e se aplicam aos ocupantes dos cargos abaixo:

- Vossa(s) Reverendíssima(s) (abrev. V. Revma. / V. Revmas.): para sacerdotes e religiosos em geral;

- Vossa(s) Excelência(s) Reverendíssima(s) (abrev. V. Exa. Revma. / V. Exas. Revmas.): para bispos e arcebispos;

- Vossa(s) Eminência(s) (abrev. V. Ema. / V. Emas.): para cardeais;

- Vossa Santidade (abrev. V. S.): somente para o Papa;

- Vossa(s) Majestade(s) (abrev. V. M. / VV. MM.): para reis e rainhas;

- Vossa Majestade Imperial (abrev. V. M. I.): para Imperadores;

- Vossa(s) Alteza(s) (abrev. V. A. / VV. AA.): para príncipes, princesas, duques e duquesas;

- Vossa(s) Magnificência(s) (abrev. V. Maga. / V. Magas.): para reitores de universidades;

- Vossa(s) Meritíssima(s) (somente por extenso): juízes de direito.


        Os pronomes de tratamento são de terceira pessoa, portanto, os verbos referentes a eles, os oblíquos (o, a, lhe, se, si, consigo) e os possessivos (seu, sua) devem estar sempre na terceira pessoa também.

- Ex.: Vossa Majestade pode partir tranquilo para sua expedição, pois seus bens estarão em boas mãos. E nunca: Vossa Majestade podeis partir tranquilo para sua expedição, pois seus bens estarão em boas mãos.

Obs.1:  O pronome Vossa é tratamento direto: Vossa Excelência volta hoje para São Paulo (Estou falando com a pessoa). Enquanto que o pronome Sua é tratamento de referência: Sua Excelência volta hoje para São Paulo (Estou comentando algo sobre a pessoa).

Obs.2: As expressões de tratamento exigem, no masculino, os adjetivos que a elas se referem, quando são empregadas em relação a um homem. Ex.: Vossa Majestade, Senhor Príncipe, está errado quanto ao caminho seguido / Sua Excelência, o Governador, foi operado às pressas.

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CRASE

        Se você tem dúvidas sobre o uso da crase, não se preocupe, basta ter um pouco de paciência e tentar entender por que e quando se usa a crase. Preste atenção nas dicas abaixo que você vai ver como é simples e fácil!

        Vamos começar pelo conceito básico: a crase nada mais é do que a fusão da preposição a com o artigo a, e para marcar esta fusão utilizamos o acento grave na letra "à".

Dica 1: Não se usa crase antes de palavras masculinas, somente antes de palavras femininas, exceto quando a crase for usada com o pronome aquele, que veremos mais adiante.

- ex.: Vou a pé (nunca Vou à pé) / Viajo a cavalo (nunca Viajo à cavalo) / Fiz as compras a prazo (nunca Fiz as compras à prazo) / Entraram a bordo (nunca Entraram à bordo).


Dica 2: Quando existir um artigo feminino antes da palavra precedida de crase que também deve ser feminina. 

- ex1.: O piloto voltou à cidade natal. (voltou a a cidade natal), repare que houve a fusão da preposição a com o artigo singular a.

- ex2.:  Ele deu flores às tias. (Ele deu flores a as tias), o às é o resultado da fusão da preposição a com o artigo plural as.


Dica 3: Para não errar, você pode substituir o a por ao, isto é, se trocar a palavra antes da qual aparece o a ou as por outra masculina, e o a ou as se transformar em ao ou aos, então você usa a crase.

- ex1.: O piloto voltou ao país natal (O piloto voltou à cidade natal).

- ex2.: Ele deu flores aos pais (Ele deu flores às tias).

Dica 4: Mude a preposição a, por outras: para a, na, da, pela e com a.

- ex1.: Emprestou o espelho à prima (para a prima).

- ex2.: Voltou à Bahia (da Bahia).

- ex3.: O namorado chegará às 6 horas (pelas 6 horas).

- ex4.: Estava à margem do Rio Negro (na margem).

- ex5.: À falta de (com a falta de; pela falta de; na falta de).

Dica 5: Antes de nomes geográficos. Nestes casos você pode recorrer às formas: ir para, voltar de ou chegar de, para saber se há crase ou não. Se o correto for ir para a ou para as, voltar da ou das e chegar da ou chegar das, então USE A CRASE. Há uma frase interessante para você não errar; "Se eu vim da, crase há. Se eu vi de, crase pra quê?" 

- ex1.: Foi à Dinamarca (para a Dinamarca) / Voltou às Ilhas Canárias (das Ilhas Canárias). Usa-se a crase.

- ex2.: Foi a São Paulo (para São Paulo, sem o a) / Voltou a Santa Catarina (de Santa Catarina). Nestes casos não se usa crase.

Dica 6: Nas indicações de horas determinadas.

- ex.: Chegou à meia-noite em ponto. / O aumento entra em vigor à zero hora.

Obs.: A indeterminação afasta a crase: Irá a qualquer hora.

Dica 7: Nas formas: àquele, àqueles, àquela, àquelas e àquilo (fusão da contração da preposição a com os pronomes aquele, aqueles, aquela, aquelas e aquilo.

- ex1. Não me refiro àquele (a + aquele) homem nem àqueles (a + aqueles) outros. Repare que este é o único caso em que se usa crase antes de palavras masculinas.

- ex2.: Irei amanha àquela (a + aquela) cidade ou àquelas (a + aquelas) duas mais próximas.

- ex3.: Não o vinculo àquilo (a + aquilo).

Dica 8: A crase é facultativa nos seguintes casos:

a. antes de pronome possessivo: Dirigiu-se a (ou à) sua colega. / Deu ajuda a (ou à) nossa mãe. Porém, não se usa crase se o pronome possessivo fizer parte de uma forma e tratamento: Não me referi a Vossa Senhoria / Pediu perdão a Nossa Senhora.

b. antes de nome de mulher: No entanto, é de bom alvitre usar a crase apenas quando a mulher referida for pessoa íntima. Deu flores à Beatriz (presume-se que Beatriz seja amiga ou parente) / Declarou-se à Joana (imagina-se que ninguém vai declarar-se a uma pessoa estranha). Em casos formais, usa-se o a sem o acento: Fez boas referências a Bibi Ferreira (somente os amigos ou parentes da atriz poderiam fazer boas referências à Bibi).

c. Até. Neste caso é bom evitar a crase, pois a forma até à dá ao texto idéia de erudição ou rebuscamento. A festa irá até as 23 horas (ou até às 23 horas). /  Até a volta! (ou Até à volta!) / Foram com ela até a porta (ou até à porta).

- Espero que as dicas possam ajudar você a entender melhor o uso da crase!

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QUANDO USAR POR QUE, POR QUÊ, PORQUE, PORQUÊ

Por que nunca sabemos qual a forma correta de "por que" devemos usar?
Porque não temos claro, em nossa memória, as diferenças que existem para cada forma.
Os Porquês, podem vir em forma de resposta, de pergunta, de substantivo, motivo, causa ou razão.
Não sei por que temos que usar diferentes formas. Oh! Dúvida cruel, Por quê?

Vejamos:

1. Você reparou que as duas primeiras frases usam a forma por que separado e porque em uma única palavra e nas outras usam as mesmas formas, só que com acento?  

a. Geralmente, usa-se por que, separado, sem acento, nas perguntas e no início da frase: Por que nunca sabemos qual a forma correta de "por que" devemos usar?



b. Porém, cuidado, usa-se o por que separado, sem acento, mesmo quando não se faz perqunta.  Geralmente vem no meio da frase e quando tem clara ou subentendia a palavra "motivo" (causa ou razão). ex:. Não sei por que temos que usar diferentes formas. Isto é,  Não sei por que (por qual) motivo temos que usar diferentes formas.
c. Além de indicar causa, razão ou motivo, o por que, separado, sem acento, substitui as formas: pelo qual e para que. ex:. Era o apelido por que (pelo qual) o conheciam. / Estavam ansiosos por que (para que) eles chegassem.
d. Ainda existe a forma do por quê, separado, com acento, que indica razão ou motivo e vem sempre no final da frase. ex:. Oh! Dúvida cruel, por quê? ou Ele estava triste sem saber por quê.
e. Na segunda oração, o porque, em uma palavra só e sem acento, aparece nas respostas, que em geral apresentam uma explicação: Porque não temos claro, em nossa memória, as diferenças que existem para cada forma.

f. Todavia, devemos estar atentos para um caso de porque, em uma única palavra, sem acento, que pode figurar nas perguntas. Isto ocorre quando fazemos uma interrogação e formulamos uma hipótese: Ela não viajou porque estava doente?
g. O porquê em uma palavra só, com acento, exerce uma função diferente dos demais casos. Ele substitui os substantivos motivo, causa, razão, pergunta. Geralmente vem precedido de um artigo. ex:. Não sei o porquê (o motivo ou a razão) da sua recusa. / Todos temos os nossos porquês (as nossas dúvidas, as nossas perguntas).

- Espero ter esclarecido o uso das diferentes formas de por que!

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3 comentários:

  1. PORQUE HEN??? RSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSS EU NUNCA ENTENDI OS "PORQUESSSSSSSS"

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  2. Realmente as variações de se escrever a palavra "porque" é muito grande....e muitas vezes devida a esta grande diversidade, a ocorrêcia de confusões é bastante frequente.

    Elyana parabéns pelo seu blog, está lindo, e gostei também das suas dicas...Amo português, a nossa gramática é incrível, basta apenas conhecer para nos encantarmos.

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  3. Haaa então quer dizer que agora surgiu a crase por aqui???? To muito brava, li uma porção de folha pra vc coloca esse resumão que diz todas as duvidas que eu tinha.. Na próxima prova eu não perdoo! OK? (hahahahahhaha)

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